5 sintomas que moldarão nossas táticas como Relações Públicas

A interação dos Relações Públicas com jornalistas muitas vezes é vista como uma arte – principalmente para profissionais de fora da comunicação. De certo modo estão certos. Se dermos um “zoom out” compreenderemos que, acima de tudo, estamos falando de relações entre pessoas. O que as leva a criarem vínculo? Para além da empatia espontânea e conexões em comum, outro fator é decisivo: interesses. Vale para a vida – por que seria diferente entre RPs e jornalistas?

Se em uma ponta está o gerador de conteúdo de um veículo ávido – por diversas razões – por boas histórias para contar a sua audiência, na outra está o RP, com o desafio de construir relacionamento e a imagem do seu cliente com esse (a) jornalista que proporcionará a marca uma interação com o público impactado por uma publicação dele (a).

Na teoria tudo isso é lindo, não? Então por que são gerados tantos obstáculos e mitos a partir desse universo? Ao meu ver como jornalista e já há alguns anos também como RP tudo passa um pouco por compreender cada caso – ou pauta – de uma forma mais macro.

Isso significa que, muitas e muitas vezes, essa relação é gerada desde o início com traumas para os dois lados. O RP tem o dever de saber seu papel (construir as principais mensagens, discursos que traduzam melhor o seu cliente e criar pautas que façam sentido dele estar inserido). O repórter apura, desenvolve o conteúdo afim trazer conhecimento e visão de mundo ao seu público. O “Match” só acontece se houver convergência entre o que se sugere, sua relevância ao mercado, o perfil do jornalista e para onde ele escreve ou gera qualquer conteúdo.

Por não haver esse entendimento em uma parcela considerável das tentativas o desgaste é inevitável. A partir daí o resto é história. Para ampliar o desafio, o mercado de comunicação como um todo passa por uma grande transformação. Entre eles, a descentralização para o público de quem é realmente um formador de opinião ou influenciador – como queira. A isso, se soma a geração de mais espaços que falam para públicos cada vez mais específicos. Os veículos de nicho chegaram, são um reflexo do mercado, mas também de como o público hoje quer consumir informação, trazendo um desafio ainda maior para ambos os lados dessa mesa.

Pensando nisso, como se trata de boa parte dos meus dias na Híbrida destaquei 5 tendências e sintomas que moldarão as nossas táticas como profissionais de Relações Públicas nos próximos anos. Levei também em conta um estudo recente sobre as mudanças do trabalho de um PR a partir desse ano realizado pela da Cesion provedora de um software global de gestão de PR pertencente a PR Newswire.

#1 Os jornalistas estão cada vez mais sob pressão 

Como em muitos mercados, à inovação está batendo à porta. Quando uma crise econômica vem junto, criamos um coquetel explosivo. Há cada vez mais exigências por volume de entregas, metas e menos profissionais nas redações. Por isso, se nós RPs desejamos estabelecer um bom relacionamento com eles e alcançarmos resultados interessantes aos nossos clientes temos o dever de ter em mente esse contexto. Criar pautas e conteúdo de qualidade, leitura fácil, coerentes com o veículo e suas publicações passadas é um bom ponto de partida.

#2 Mais fatos e menos opinião, por favor 

Por muitas vezes já tive conversas com clientes que desejavam divulgar notícias a imprensa que, segundo eles, eram grandes inovações. Sabemos, nem sempre é assim. Pauta boa é aquela que é aceita pelo veículo e só passa pelo crivo se o conteúdo sugerido por nós RPs faz sentido ao público com o veículo interage.

Outro ponto importante: jornalistas trabalham com fatos. Se uma pauta é sugerida, ele se interessará muito mais se ela estiver embasada com números, pesquisas, estudos e/ou tendências de mercado. Haja vista que, 60% dos jornalistas entrevistados acreditam que o próprio público está mais interessado em fatos do que em opiniões.

Os comentários do cliente devem estar junto dessas informações. É simples, uma coisa não exclui a outra. A união desses fatores é o que dá relevância ao que é proposto.

#3 Nós RPs seremos um dos grandes elos entre influenciadores e marcas

É cada vez mais evidente que estamos passando por uma mudança sobre quem é considerado hoje um influenciador. Personalidades – com ou sem conteúdo – surgem com uma rapidez impressionante, o que tornam os papéis do jornalista e do RP ainda importantes nesse processo de construção de referências ao público.

O RP se tornará mais estratégico a partir do momento em que auxiliar o influenciador desde a gerar bom conteúdo até mesmo na criação de projetos envolvendo marcas. Abre-se uma oportunidade única de se pensar a atuação na sua plenitude. Significa ser mais PR e menos Assessor de Imprensa.

#4 Sim, o e-mail continuará sendo o meio de contato favorito dos jornalistas com RPs

Dói dizer isso, mas é a verdade que nos confronta. Quem é RP sabe, nada como uma boa conversa para se vender uma pauta. Mas temos de lidar com um fator crítico: a falta de tempo dos jornalistas. Por conta disso, mais 60% deles disseram que o e-mail é o melhor canal de contato. É óbvio que pautas mais aprofundadas e mais “quentes” merecem um follow-up. O ponto aqui é o bom-senso nas tentativas pois os resultados acontecem também por conta da forma como se relaciona com os jornalistas, não se esqueça disso.

#5 Jornalistas focam em histórias que têm a ver com seus interesses 

Você já deve ter passado pela situação onde você tinha duas ou três opções de repórteres na mesma editoria de um meio e encaminhou uma pauta a um deles por saber que o escolhido viria a ter maior interesse no assunto que os demais. Claro, a proximidade com ele ou elas contam, mas provavelmente levou em consideração também seus interesses e estilo. Pois esse possível fato, que já aconteceu algumas boas vezes comigo na Híbrida vai de encontro com a opinião dos 91% dos jornalistas entrevistados, que confirmam a tese de que publicam baseados em seus interesses e gostos, atrelados à notícia sugerida.

Não adianta fazer só o que o cliente manda. Tampouco só o que você acredita ser o certo. O relacionamento entre RPs e jornalistas pode ser uma troca muito mais rica e produtiva a ambos os lados. Dá para fazer muito mais e melhor. Da criação ao contato e a publicação, no fim queremos impactar, contar boas histórias que inspirem as pessoas.

 

Post by Lucas Paschoal

Lucas é jornalista e fundador da Híbrida Comunicação, agência de comunicação que atua como assessoria de imprensa, relações públicas, consultoria e produtora de conteúdo voltada a startups, PMEs e profissionais liberais.

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